Opiáceos

Os Opiáceos são substâncias obtidas a partir do ópio, uma espécie de suco extraído das espécies de papoulas soníferas (Papaver somniferum). As propriedades calmantes, soníferas e anestésicas do ópio já são conhecidas há mais de 4 000 anos.

É importante salientar que existem vários tipos de opiáceos e que todos eles, em situação de sobredosagem e/ou interação com outras substâncias, podem provocar uma overdose:

  • Opiáceos naturais, quando não sofrem qualquer modificação. Ex: morfina, codeína
  • Opiáceos semi-sintéticos, quando são resultado de modificações químicas parciais. Ex: heroína
  • Opiáceos sintéticos. Ex: metadona, fentanilo, meperidina

Todos os tipos de opiáceos têm um efeito analgésico e hipnótico. Podem ser substâncias ilícitas como a heroína, mas também estar presentes em medicação prescrita e regulada.

Efeitos

Efeitos físicos agudos

  • Miose: contração acentuada das pupilas dos olhos que podem ficar do tamanho da cabeça de um alfinete: problemas de visão.
  • Pode haver “paralisia” do estômago cheio como se não fosse capaz de fazer a digestão: náuseas, vómitos.
  • Os intestinos também ficam paralisados e, como consequência, a pessoa que abusa destas substâncias geralmente é obstipada.
  • Com doses maiores pode haver queda da pressão arterial, a frequência cardíaca baixa, a frequência respiratória também diminui e a pele pode ficar azulada (cianose): tonturas, palidez, lábios e dedos azulados/roxos (cianose).
  • Prurido cutâneo (comichão na pele).
  • Disfunção sexual.

Efeitos psíquicos / mentais agudos

  • Analgesia: perda da sensação de dor física e emocional; o consumidor pode ferir-se sem se aperceber.
  • Sensação de tranquilidade.
  • Maior autoconfiança e indiferença aos outros: comportamentos agressivos.
  • Diminuição da vigília: aumento do sono.
  • Estado de turpor, como que isolamento da realidade do mundo, uma calma onde realidade e fantasia se misturam, um sonhar acordado, um estado sem sofrimento.

Efeitos crónicos

  • Perda de peso.
  • Obstipação crónica.
  • Doenças ginecológicas (amenorreia, problemas de ovulação) e urológicas (disfunção sexual, dificuldade em urinar).
  • Obnubilação (alteração do estado de consciência por diminuição da vigília, perda de contato com a realidade).
  • Deterioração intelectual.
  • Diminuição das capacidades de socialização.
  • Tolerância: após a administração de várias doses, a pessoa precisa de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito.
  • Dependência: forte desejo de consumir e síndrome de abstinência na sua ausência.