SOS Passo-a-passo

Clique abaixo para seguir o processo de apoio num episódio de overdose por opiáceos, de uma forma segura.

Passo-a-passo

O que é a overdose?

O cérebro tem muitos recetores de opiáceos. A overdose ocorre quando quantidades elevadas de opiáceos, como a heroína, se ligam aos recetores, lentificando e, por vezes, parando a respiração.

Fatores que aumentam o risco de overdose?

  • Pessoas fumadoras com doença pulmonar crónica.
  • Portadores de doença renal, cardíaca ou infeção por VIH/SIDA.
  • Alcoolismo.
  • Consumo de outras substâncias psicoativas.
  • A via endovenosa e a fumada são formas de administração através dos quais a droga chega ao cérebro mais rapidamente.
  • Consumo após longos períodos de abstinência.
  • Períodos de transição de vias de consumo e mudança de tipo de opiáceos.

A via endovenosa e a fumada são modos de administração através dos quais a droga chega ao cérebro mais rápido.

Porquê usar Naloxona?

A reversão de um episódio de overdose deve ser realizada com Naloxona. Em Portugal, a Naloxona injetável está disponível apenas a nível hospitalar e pré-hospitalar (equipas de emergência médica).

Fora do ambiente hospitalar e como uma eficiente primeira intervenção, poderá ser utilizada Naloxona em spray nasal. Trata-se de uma solução de muito fácil aplicação, sem risco e que qualquer pessoa após formação adequada poderá administrar.

A utilização da Naloxona em spray nasal não dispensa o encaminhamento do consumidor para a emergência hospitalar, pois embora ocorra a reversão de uma eventual paragem respiratória e, aparentemente, o consumidor esteja a “recuperar”, não significa que esteja livre de risco.

O efeito da Naloxona é muito mais curto do que o efeito de um opiáceo, pelo que, quando o efeito da Naloxona passar o consumidor pode voltar a uma situação de overdose. Por esta razão, é importante manter a vigilância até obter ajuda da emergência médica, explicar à pessoa quando esta recuperar a consciência, o que lhe aconteceu, os riscos que corre de voltar a um estado de overdose, incentivando-a a não consumir nas próximas horas.

Naloxona - Tratamento para Overdose de Opiáceos

Vantagens da Naloxona

A Naloxona tem uma elevada afinidade para os receptores de opiáceos presentes no nosso cérebro. Ao ser administrada, vai "bloquear" esses receptores, anulando o efeito da sobredosagem de opiáceos o que permite, de uma forma rápida, a reversão dos sintomas de overdose.

  • antagonista de opiáceos: só funciona se houver opiáceos no organismo
  • é segura: se for administrada a uma pessoa que não usou opiáceos, não tem qualquer efeito e não apresenta riscos ou efeitos secundários
  • não causa dependência
  • é eficaz: tem efeito em poucos minutos
  • tem um tempo de ação de 20 a 90 minutos
  • a Naloxona em spray pode ser utilizada por qualquer pessoa após formação adequada e não apenas por profissionais de saúde.

Em caso de overdose

  • Não ofereça alimentos ou bebidas à pessoa.
  • Não "obrigue" a pessoa a levantar-se ou a andar.
  • Não ofereça nenhum tipo de medicamento ou droga.
  • Não administre nenhuma substância injetável, inclusive água com sal.
  • Não molhe a pessoa nem a incentive a tomar banho de água fria.
  • Evite perder tempo. Agir corretamente pode salvar a vida de uma pessoa em overdose.

O que não fazer em caso de overdose

Tão importante como saber o que fazer em caso de overdose, é saber também o que não fazer.

 

Há práticas comuns e mitos entre utilizadores de drogas, que para além de não reverterem uma overdose, podem piorar a situação clínica da pessoa.

Mitos

"Se eu consumir speedball (cocaína + heroína), não corro risco de overdose".

"Posso parar uma overdose de heroína se injectar cocaína a seguir".

  • A heroína vai diminuir a função respiratória, havendo menos oxigénio disponível no organismo.
  • A cocaína sendo estimulante vai acelerar o organismo, precisando este de mais oxigénio.
  • O organismo vai ficar sobrecarregado com a presença das duas substâncias, havendo maior risco de paragem cardiorrespiratória.
  • Ao contrário do que é comum pensar-se, o consumo de estimulantes juntamente com depressores (exemplo da cocaína + heroína) aumenta o risco de overdose.

"Eu já consumo há muito tempo, não corro esse risco!"

  • Pessoas que consomem há mais de 5 anos têm maior risco de vir a ter uma overdose.
  • Consumidores de longa data tendem a ter maior confiança, têm já maiores danos no organismo associados ao consumo e usam, por norma, doses mais elevadas.

"Quando vemos uma pessoa em situação de overdose devemos levantá-la e obrigá-la a andar."

  • Fazer a pessoa caminhar pode acelerar as consequências de uma overdose.
  • Existe ainda risco de queda e lesões.
  • Se não está capaz de se levantar e caminhar sozinha, a pessoa deve ficar deitada e colocada em posição lateral de segurança (PLS).

"Injectar água e sal na veia reverte uma overdose."

  • A água e o sal não vão ter efeito na reversão de uma sobredosagem.
  • Fazê-lo é perda de tempo, tempo esse que poderia ser usado para actuar correctamente.
  • Dar água para beber ou qualquer outra bebida ou alimento também não ajuda e pode piorar a situação, assim como induzir o vómito.

"Dar um banho de água fria pode ajudar em caso de overdose."

  • A água fria pode provocar um choque cardiogénico - insuficiência de irrigação sanguínea devido à incapacidade do coração bombear eficazmente.
  • Existe risco de afogamento.
  • Este procedimento não ajuda a reverter uma overdose.

"Se a pessoa estiver a ressonar, está bem e vou deixá-la dormir."

  • Ressonar depois de consumir não significa que a pessoa está bem e que é o efeito normal de consumo.
  • É um sinal de dificuldade respiratória e de que a pessoa poderá precisar de ajuda.
  • A vigilância é importante!